sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O poder da cerveja

Até os 15 anos, o que a cerveja representava pra mim era poder. Nas reuniões de família, via meu pai e todos os meus tios virando goela abaixo aquele líquido dourado com uma espessa camada branca. Após dar um gole, cada um deles tomava as rédeas da conversa e falavam sobre diversos assuntos em vozes excessivamente altas, fazendo com que toda família ouvisse cada palavra do que eles tinham a dizer.

Comigo era exatamente o contrário. Na flor dos meus 8 anos, ao tentar dizer algo que fosse levado a sério, minha vó e as outras mulheres da família diziam algo meigo, apertavam minhas bochechas e voltavam às suas atividades anteriores. Ninguém estava realmente interessado em saber o que eu achava das coisas.

Automaticamente, liguei os fatos e pensei que a cerveja fosse um elixir que fazia sua opinião ser ouvida com respeito e atenção. Por várias vezes, tentei saborear alguns goles, mas meu pai nunca deixava eu passar da espuma. Isso me frustrava. Me deixava com um sentimento de injustiça. Por que todos os homens da família podiam tomar e usufruir daquele poder, e eu só podia tocar os lábios na espuma?

Passado um tempo, um longo tempo por sinal, tomei minha primeira cerveja. E a segunda. E a terceira. E a quarta. Até que entrei na faculdade e perdi a conta. Então, percebi: quanto mais cervejas você toma, menos poder de opinião você tem, pois as chances de estar caído no chão do bar são muitas. E isso, definitivamente, não lhe dá voz para nada.

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