Muitos se surpreendem ao me ver parando um tiro de revólver com o olho. Ou recebendo todo tipo de pancada sem esboçar o mínimo de dor. Pra mim, isso é normal. Esses métodos humanos de ferir o próximo não funcionam comigo. Bombas, facas, socos. Resisto a tudo isso sem problema algum. Não é à toa que me chamam de Super-Homem.
O que muitos não sabem é que meu alter-ego, Clark Kent, não passa de um mero disfarce. E, consequentemente, essa ‘paixão’ por Lois Lane também é uma farsa. A verdade é que tenho um outro grande amor e, esse sim, é sincero. Aliás, essa é a única das invenções humanas que consegue me ferir: o amor. Vocês vão entender o porquê.
Nunca contei isso a ninguém, mas sou perdidamente apaixonado pela Kryptonita. É, isso mesmo. A Kryptonita. E aí você me diz, confuso: “Mas a Kryptonita não é aquela coisa que te deixa fraco?” Claro que é! E o que é o amor, senão aquilo que suga todas as suas forças? Que te deixa totalmente vulnerável a qualquer intromissão e humilhação? Posso não ser desse planeta, mas sei que isso é uma certeza.
Quando as pessoas estão apaixonadas, fazem coisas das quais se arrependeriam em uma situação normal. Numa busca incessante pelo amor mútuo, choram e sorriem, brigam e se entendem, fazem sexo e cultivam o ódio. É sempre esse paradoxo. Sentimentos que podem ser considerados antônimos, caminhando juntos. Concorda?
Então por que é tão difícil aceitar o meu amor pela pequena ‘Kryp’? Nossa relação é exatamente essa. Chega a ser uma antítese. Pois, sempre que eu estou chegando perto dela, quando estou prestes a desvendar os seus segredos, ela emite uma forte radiação que esmaga meu coração e faz com que eu caia de joelhos perante sua imagem. E eu não sei se ela faz isso por medo de viver comigo ou se, simplesmente, não pode deixar de ser assim: corrosiva. Essa dúvida é o que me mata. É o que me faz deixar de atender chamados de socorro. É o que me faz deixar de lado toda essa responsabilidade que jogam em cima de mim, de sempre ter um sorriso no rosto e uma atitude nobre.
Sinceramente, essa é a arma mais letal que pode ser usada contra mim e, agora que revelei isso a todos, podem dar o tiro de misericórdia. Estou apaixonado.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Um cigarro, uma cerveja e um beijo.
Ela deu o último trago em seu cigarro. Aspirou aquela fumaça densa e branca, e deixou-a aproveitar a presença em seus pulmões durante alguns preciosos segundos. Então, soltou-a para atmosfera ao seu redor. A neblina foi se esvaindo, até que desapareceu, como se não houvesse mais motivo para existir, depois de ter vivido o ápice de sua trajetória no corpo daquela pequena.
Ele, por sua vez, envolveu seus dedos no velho copo de cerveja. O líquido já havia perdido a frieza do início, talvez devido ao calor de sua mão, por saber que estava abraçado com a obra-prima da natureza. Levou o copo até os lábios e deixou-se satisfazer com os últimos dois goles mornos. Apesar da temperatura da bebida, sentiu toda a refrescância que ela poderia lhe proporcionar. Então, deixou o copo de lado e lançou seu olhar à miúda que se encontrava no contorno de seus braços. Ela tinha o aroma de uma flor. Ele não sabia qual, mas sabia que ela era exatamente isso: uma flor. Das mais belas e raras. Daquelas que não se acha procurando, se acha por pura sorte.
Aproximou tanto os seus lábios dos dela, que era possível sentir o relevo formado pela pele. Parou e começou a admirar seu rosto bem de perto, sem dizer uma palavra. Tirou-lhe os cabelos do rosto, abraçou-a pela cintura e trouxe a pequena flor para mais junto de seu corpo. Seus lábios se encontraram novamente, dessa vez, com maior intensidade. A refrescância da cerveja e a densidade do cigarro eram evidentes no beijo, e isso só lhes dava vontade de continuar o ato.
Indiretamente, os prazeres que cada vício oferecia se misturaram a acabaram criando uma terceira dependência. Naquela noite, ele descobriu que naquela flor existe muito mais do que aroma e beleza. Existe um vício. E a dependência do cigarro e da cerveja não chegam nem perto da que ele causa.
Ele, por sua vez, envolveu seus dedos no velho copo de cerveja. O líquido já havia perdido a frieza do início, talvez devido ao calor de sua mão, por saber que estava abraçado com a obra-prima da natureza. Levou o copo até os lábios e deixou-se satisfazer com os últimos dois goles mornos. Apesar da temperatura da bebida, sentiu toda a refrescância que ela poderia lhe proporcionar. Então, deixou o copo de lado e lançou seu olhar à miúda que se encontrava no contorno de seus braços. Ela tinha o aroma de uma flor. Ele não sabia qual, mas sabia que ela era exatamente isso: uma flor. Das mais belas e raras. Daquelas que não se acha procurando, se acha por pura sorte.
Aproximou tanto os seus lábios dos dela, que era possível sentir o relevo formado pela pele. Parou e começou a admirar seu rosto bem de perto, sem dizer uma palavra. Tirou-lhe os cabelos do rosto, abraçou-a pela cintura e trouxe a pequena flor para mais junto de seu corpo. Seus lábios se encontraram novamente, dessa vez, com maior intensidade. A refrescância da cerveja e a densidade do cigarro eram evidentes no beijo, e isso só lhes dava vontade de continuar o ato.
Indiretamente, os prazeres que cada vício oferecia se misturaram a acabaram criando uma terceira dependência. Naquela noite, ele descobriu que naquela flor existe muito mais do que aroma e beleza. Existe um vício. E a dependência do cigarro e da cerveja não chegam nem perto da que ele causa.
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