Deitou na cama, pegou o violão e começou a entoar as canções mais belas e tristes que conhecia. Precisava expulsar da mente e do coração toda aquela angústia e incerteza que lhe tirava o ar todos os finais de tarde. E a melhor maneira de se fazer isso era através da música. Pelo menos, pra ele.
O engraçado era que as canções dos outros, muitas vezes, diziam mais sobre a sua vida do que suas próprias composições. Foi aí que ele percebeu: não era o único viciado nessa droga de amor. Passou desde a visão romântica de Amarante, até a visão quase suicída de Yorke. Identificou-se com os dois. Para ele, o amor sempre foi assim, admirável e destruidor.
A cada nota que soava, a cada palavra que proferia, uma lágrima, mais pesada que o céu, escorria em seu rosto e caía como chumbo, ora nas cordas do instrumento, ora em seu próprio braço.
Naquele momento, sua vontade era de pegar o primeiro ônibus rumo à casa da amada e lhe dizer todas as verdades entaladas na garganta. Jogar todo aquele sofrimento pra fora, ouvir uma resposta compreensiva e tascar o beijo mais demorado e apaixonante de toda a sua vida.
Mas não tinha coragem. O medo de perdê-la fazia suas pernas bambearem e seu coração disparar tanto, que as chances de ter um treco antes de chegar na esquina eram de 100%.
Sua mente e seu corpo o fizeram desistir da ideia. Pegou uma folha de papel e aquela caneta sem tampa e escreveu o título de seu próximo sucesso incompreendido: “A diferença entre saudade e ausência”.
E, mais uma vez, a indignação virou música. Só mais um covarde no mundo dos acordes.
segunda-feira, 22 de março de 2010
quinta-feira, 4 de março de 2010
Enche meu copo. 20 vezes.
Pode não parecer muito tempo para algumas pessoas, mas pra mim é um eternidade. E o relógio continua.
Mais um dia, mais um ano.
Menos um dia, menos um ano.
Tudo depende do ponto de vista. E o que eu vejo nisso tudo é um tempo impiedoso, que nos dá a alegria de viver intensamente, aproveitando ao máximo a lucidez, as articulações e a beleza, e vai nos tirando tudo isso, pouco a pouco.
Quando menos esperamos...PUF! Estamos presos em um trabalho que nos consome, correndo para chegar em casa a tempo da novela e já não temos mais a rapidez de raciocínio que nos era característica.
Tudo bem, é exagero da minha parte dizer isso no que muitos consideram a flor da idade. Mas a verdade é que, a cada ano que passa, sinto mais responsabilidades sendo atribuídas a mim e menos tempo para as coisas que realmente importam na vida.
Tenho um medo desgraçado de cair numa rotina incessante, onde nada é novo. Você acorda com o mesmo toque ridículo de celular e segue a mesma sequência: água no rosto, leite na caneca, escova nos dentes, chave na porta, pé no ônibus, reclamações no ouvido, arroz e feijão na goela e cabeça no travesseiro. Acorda no outro dia e repete tudo da mesma maneira, pois, se algo for mudado, você não consegue prosseguir com o seu dia.
Eu não quero isso.
Eu não posso viver assim.
Eu escolho a vida.
A vida nova a cada dia.
Quero passar os próximos 20, 40, 60 anos, com esse mesmo pensamento. Mas só de imaginar as próximas fases da minha vida, já sinto repulsa. Quero viver, não sobreviver. E todos esses pensamentos me levam a uma angustiante dúvida:
Será que eu já sou um...adulto?
Putz, enche meu copo, por favor.
Mais um dia, mais um ano.
Menos um dia, menos um ano.
Tudo depende do ponto de vista. E o que eu vejo nisso tudo é um tempo impiedoso, que nos dá a alegria de viver intensamente, aproveitando ao máximo a lucidez, as articulações e a beleza, e vai nos tirando tudo isso, pouco a pouco.
Quando menos esperamos...PUF! Estamos presos em um trabalho que nos consome, correndo para chegar em casa a tempo da novela e já não temos mais a rapidez de raciocínio que nos era característica.
Tudo bem, é exagero da minha parte dizer isso no que muitos consideram a flor da idade. Mas a verdade é que, a cada ano que passa, sinto mais responsabilidades sendo atribuídas a mim e menos tempo para as coisas que realmente importam na vida.
Tenho um medo desgraçado de cair numa rotina incessante, onde nada é novo. Você acorda com o mesmo toque ridículo de celular e segue a mesma sequência: água no rosto, leite na caneca, escova nos dentes, chave na porta, pé no ônibus, reclamações no ouvido, arroz e feijão na goela e cabeça no travesseiro. Acorda no outro dia e repete tudo da mesma maneira, pois, se algo for mudado, você não consegue prosseguir com o seu dia.
Eu não quero isso.
Eu não posso viver assim.
Eu escolho a vida.
A vida nova a cada dia.
Quero passar os próximos 20, 40, 60 anos, com esse mesmo pensamento. Mas só de imaginar as próximas fases da minha vida, já sinto repulsa. Quero viver, não sobreviver. E todos esses pensamentos me levam a uma angustiante dúvida:
Será que eu já sou um...adulto?
Putz, enche meu copo, por favor.
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